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Fotografia como imagem engajada

Começou nesse sábado a oficina de fotografia realizada pela Cia Caravan Maschera, pelo projeto Orun-aiye. A oficina faz parte do processo criativo do espetáculos “Vidas Secas” e está sendo compartilhada gratuitamente com toda a comunidade de Atibaia (rural ou urbana).
Serão outros 5 encontros onde o fotógrafo Rafael Leme ensinará os passos (ou os cliques) para se repensar a fotografia como uma imagem engajada. Desde a técnica pura até a sensibilidade da imagem, os participantes compreenderão que a imagem tem um poder excepcional e emotivo na nossa sociedade contemporânea marejada por selfies de redes sociais. Nos próximos encontros os alunos partiram em pesquisa de campo, buscando na comunidade do bairro do Maracanã paralelismos com a literatura de Graciliano Ramos.
São os primeiros passos da futura TV MARACANÃ, a primeira TV Rural da nossa região.
Realização Caravan Maschera – www.projetoorun-aiye.com
Onde: Centro Comunitário do Jd. Maracanã 
Quando: sábados , das 10 às 12:30.
Grátis
Informações:

Esse projeto é realizado com o apoio do ProAc e da associação Estação Maracanã

 

VELOZES E FURIOSOS (...) E O MENINO QUE IMITAVA CHAPLIN

VELOZES E FURIOSOS, FROZEN, TEMPOS MODERNOS E O MENINO QUE IMITAVA CHAPLIN NAS AULAS DE TEATRO DO BAIRRO RURAL DO JD. MARACANÃ-ATIBAIA(SP).

Àqueles que ainda não sabem, há três meses, a cia Caravan Maschera realiza o Cine-Maracanã, o cinema rural do bairro do Maracanã. Na última semana estreamos nosso cinema de pano ao ar livre com direito a pipoquinha e picadas de mosquito.
Sempre na intenção de dialogar com a comunidade daquele local e conscientes de que a ausência de políticas culturais moldaram o gosto (ou o não gosto) daqueles moradores desde que o centro comunitário do jd. Maracanã foi inaugurado, decidimos optar por uma programação que escuta os desejos dos seus moradores em alternância com uma programação “mais artística” e menos comercial.

Para votarem no filme que desejam ver, os moradores devem obrigatoriamente assistir os filmes que são propostos por nós. Ou seja, mesmo que tenham escolhido até então entre “Frozen”, “Velozes e Furiosos”, ou “Chiquititas” , estes são “obrigados” a assitirem “Cinema Paradiso”, “O Auto da Compadecida”, “Chaplin”, ‘Waal E” e “Mazzaropi”, para escolherem outros títulos. É meio fascista, mas funciona.

A “guerra” contra o “não gosto” (ou, como dizem as “pessoas cultas”, contra o MAL GOSTO) daqueles moradores que moram a 16km do centro da cidade, servidos por ônibus sujos a cada hora, sem iluminação pública decente e com esgoto a céu aberto se estabelece silenciosamente sem que se levantem bandeiras. Antes de todas apresentações, o som alto do boteco ao lado que toca Funk comercial da pior qualidade (diferente do mineiríssimo Funk cabeça) é contrastado com o som alto das nossas músicas que antecedem as exibições: Secos e Molhados, Caetano, Chico Buarque, Cartola e outros desafiam sem medo e com sentimentos revolucionários o gosto do público que curte as sessões do cinema. Obviamente, ao final dessas exibições de filmes comerciais (repare que não questionamos qualidade, mas os seus fins), temos de fazer ironias e piadas mal intencionadas e sacanas sobre esses filmes. Menos pelo prazer sádico e mais no intuito de abrir os olhos desse pessoal que está fechado com remelas de políticas do pão e circo e com pedriscos de ausência proposital de políticas culturais. Não podemos deixar passar barato.... Cada risada do público com Chaplin que se perde no meio das engrenagens em preto e branco e cada lágrima que escorreu dos olhos daqueles que choraram vendo Cinema Paradiso na estréia do nosso Cine-Maracanã é um tapa na cara do nosso preconceito racista e do nosso julgamento mesquinho que insiste em pensar “eles não vão entender”, “eles não vão gostar”,”é complicado demais para eles”.

Os resultados começam a aparecer: Quando um aluno de 12 anos do curso de teatro faz uma improvisação engraçadíssima andando em ziguezague com caretas engraçadas e diz que queria ser Chaplin é porque alguma coisa não está mais andando como deveria andar....

Façamos uma aposta que no próximo ano (ano de “Eventos” no bairro do maracanã e tantos outros bairros periféricos, pois é ano eleitoral) as pessoas estarão mais esclarecidas sobre esses “presentes” de deputados e vereadores que ocorrem unicamente a cada 4 anos. Acho que a engrenagem começará a ciscar....
Que tal você vir conferir de perto esse evento gratuito, a céu aberto, fazendo um pique-nique na próxima sexta-feira dia 24 às 19 horas com pipoquinha, refri e picada de pernilongo junto da gente? Mazzaropi será nosso mestre nesse dia. Inútil seguir as placas para nosso bairro, elas caíram e nenhum político se prontificou à ajustá-las. Ou não viram, ou estão esperando pelo ano que vem...

O Cine-Maracanã é uma realização da Cia Caravan Maschera por meio do Projeto Orun-Aiye e conta com o apoio do ProAc e da Associação Estação Maracanã

A triste história do ônibus branco que levou o nosso público embora

Um ônibus branco levou nosso público para a Universal do reino de Deus

Nós pensávamos que isso era coisa de bíblia, mas não! Aconteceu de fato no bairro rural do Jd. Maracanã nesse sábado dia 29 de agosto de 2015: um ônibus branco levou em torno de 30 jovens da porta do nosso cinema rural diretamente para a Igreja Universal do Edir Macedo.

Eram 17:50 quando vimos toda a movimentação fora do cinema. Corremos para comprar mais pipoca e nos preocupamos com o número de cadeiras da sala de exibição. Mas, ironicamente, como só poderia acontecer em um texto escrito por Ariano Suassuna, um ônibus branco veio descendo as ruas de terra do bairro, passando sobre o esgoto a céu aberto que o poder público insiste em ignorar, passou pelas portas fechadas do centro de saúde, acendeu o farol alto quando passou pela rua sem iluminação pública para não bater de frente com o poste que ficou plantado bem no meio da rua recentemente asfaltada sem planejamento e parou bem ao lado do Centro comunitário onde abriu suas portas. Os jovens, desolados (lia-se em suas caras a mesma desolação de Chicó em O Auto da Compadecida quando enterrava seu amigo João Grilo. Percebia-se a esperança acabada de que o ônibus naquele sábado não viria, ou se atrasaria tanto que o filme já teria acabado) entraram um a um naquela barca (que Noé não teria nunca imaginado) que os levaria em meio ao dilúvio de infiéis daquele bairro para a salvação e o financiamento das novelas da TV Record.

Obviamente, sendo fazedores de arte, tentamos convencer o motorista:
“ Fala que eu te escuto” disse ele
(rimos). 
“E se o senhor dissesse que o pneu furou?”, 
“O senhor poderia dizer que não tinha ninguém e foi-se embora. Diga lá que já tinham fé demais e que o excesso de fé faria dar inveja naqueles que ainda não tinham bastante para dar 10% do que ganham no mês” ,
“Fique o senhor também e veja o filme conosco” ,
“Que filme é ?”(indagou),
“ O auto da Compadecida!”(alegres palavras respondidas); 
“Simbora gente que já é tarde!” (deve ter entendido Aparecida e se lembrou dos santos que são quebrados todos os meses nos cultos em rede nacional depois da meia noite na TV aberta).
Engatou a primeira sem compaixão e levou embora aquela molecada que só mesmo Deus sabe o quanto almejamos tanto ter no nosso Cinema Rural. Dois dos meninos até tentaram ligar para suas mães e dizer que não iam para o culto porque ia ter cinema no bairro, mas não tinham crédito. Um outro disse sem vergonha nenhuma: “Chato demais sábado a noite no Maracanã...” colocou o fone no ouvido e foi para o fundo do ônibus. Sinceramente, ali naquele MP3 tinha música o bastante para toda a duração do culto.

“Força Jovem” é a sessão da igreja Universal do Reino de Deus que vai levar todos os sábados aquela molecada para longe do nosso cinema e para mais perto de pastores milagrosos que curam câncer, AIDS, homossexualismo e curiosidade de adolescente.

Eis uma das conseqüências silenciosas do não planejamento de ações e de políticas culturais voltadas para aquela gente da zona rural (Racismo Institucional, repetimos): a ausência de uma política que traga cultura e arte para as zonas rurais, permite que os grandes traficantes empreguem seus aviõezinhos com direito a lista de espera e deixam as vias abertas para que este e outros ônibus brancos da Fé venham recrutar a chamada “força Jovem” que vai, no futuro (seguido da lavagem cerebral que todos conhecemos e ignoramos) eleger vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e quiçá presidentes que, em nome de Jesus (aquele que estão sempre dizendo que está voltando), pregam ABERTAMENTE a intolerância religiosa e ao combate aos valores multiculturais e étnicos de nosso país.

Queríamos mesmo que a gaita milagrosa de João Grilo existisse para fazer voltar a vida um que já morreu. Seria ótimo se essas pessoas morressem, fossem até o Paraíso e vissem que a cadeira de Deus está vazia com um bilhete escrito:“Só a arte salva, bestão” e depois voltassem para terra para fazer teatro. Já pensou?! Mas isso tudo só se passaria em um texto doideira de um Pernambucano chamado Suassuna.

Daqui 15 dias tem mais Cine Maracanã, será uma sessão com filme escolhido pelos próprios moradores.

 

Este projeto é realizado pela Cia Caravan Maschera Teatro com o apoio do ProAc de Artes Integradas em parceria com a Associação Estação Maracanã

 

 

Mesmo com chuva, 70 pessoas no cinema!!!

Cine-Maracanã ontem a noite.

O cinema rural do Jardim Maracanã ficou literalmente pequeno para receber as mais de 70 pessoas que vieram debaixo de chuva para assistir a mais uma sessão de cinema organizada pela cia Caravan Maschera em zonas rurais.

Foi lindão!

Este projeto é realizado com o apoio do ProAc e da associação estação maracanã.

Cine-Maracanã ou Cinema Paradiso?

Exibir o filme Cinema Paradiso em zona rural, ou o Cinema Paradiso é aqui.

Evidentemente o som era ruim, fazia frio e algumas pessoas só vieram por causa da pipoca de graça (fruto de políticas populistas maquiadas com contrapartida sociocultural que se alastram pelo nosso país), mas o Cinema Paradiso de Giuseppe Tornatore é o próprio Cinema Rural do Bairro do Jd. Maracanã, na zona rural de Atibaia.

Alguns adultos choraram (e muito) com uma das cenas mais triste do cinema mundial (aquela da implosão do Cinema Paradiso) seguida da cena mais bela de toda a história do cinema Italiano (aquela dos beijos de todos os filmes que foram censuradas pelo Padre da cidade de Giancaldo). Alguns 5 ou 6 moleques se sentaram na primeira fila e se excitaram do mesmo modo como os meninos no Cinema Paradiso ao verem a bunda perfeita de Brigite Bardot sem nenhum silicone naquela tela gigante, alguns outros coçavam o nariz tal qual ocorria no filme como quem não gostava do que via. Uma mãe trouxe uma criança de colo. Um pai tinha que acompanhar a menininha de 8 anos que nunca tinha visto “uma tela de TV tão grande”. Ao fundo, evidentemente, sentaram-se as meninas maquiadas e os molequões com pinta de sedutores à la Marcello Mastroianni . Não creio que estes estivessem interessados no tema do filme, mais interessante eram os cochichos ao pé do ouvido... Ao final da sessão, a sala de apresentação estava sujíssima de pipoca, papel, chiclete e copos de plástico. Situação idêntica aquela vista no filme italiano de 1988. Isso porque o Cinema Paradiso é ali. Não é só (e não será só) um local para a projeção de filmes, é (e será sempre) um local de encontro social, onde as pessoas se encontram (e se encontrarão) e simplesmente têm (e terão ainda mais) uma experiência social. Porque ir ao cinema é um ato social do qual aquelas pessoas da zona rural são privadas. Não somente pelo preço vergonhoso cobrado nos cinemas, mas pelo simples fato de que essas pessoas não teriam ônibus para voltar para casa após assistirem o filme no centro da cidade.

Todos os filmes que passarão ali serão filmes que se encontram facilmente na internet ou no Youtube. Não há precisão de ir até a rua João Nero, sem número, para assistir aos filmes. A pequena diferença é “uma tela de TV tão grande” e o compartilhamento de uma experiência “tão boba” em grupo.

Antes do início do filme, dissemos o porquê daquele ser o primeiro filme da inauguração do Cinema Rural do Maracanã: “Mais que um filme, é uma declaração de amor pelo cinema”. Atentamos para a cena mágica que iria acontecer e que nos inspira tanto o “para quem fazemos isso” e “para que fazemos isso”: o momento em que Alfredo projeta o filme de Totó na parede de uma casa e TODOS na praça podem assistir ao filme sem pagar. Vimos que algum adolescente comentou alguma coisa com outro bem naquele momento... sabe-se lá o que disseram...

O importante é que dia 28 tem mais, “O Auto da compadecida”, o prórpio Roberto Marinho nos cedeu os direitos autorais. Fomos em uma sessão espírita e ele mesmo, em alma penada, vindo das profundezas do inferno, veio e nos deu por escrito (psicografia) uma carta de doação dos direitos.

Só vendo pra crer...

Esse projeto foi realizado com apoio do ProAc de Artes Integradas

www.projetoorun-ayie.com

2019  www.projetoorun-aiye.com